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Imprensa

Entrevista com jovem pianista pernambucana emociona

10 de outubro de 2010

Entrevista // Em nome da música

Priscilla Dantas passou por muito preconceito até conseguir ser a pianista mais jovem do Festival Chopin-Schumann 200 anos
Phelipe Rodrigues // Diario de Pernambuco


Na próxima quarta, Priscilla Dantas, 17 anos, filha de um guarda municipal e de uma dona de casa do bairro de Afogados, zona oeste do Recife, será a atração principal do Festival Chopin/Schumann - 200 anos. Quando subir ao palco do Teatro de Santa Isabel para executar obras dos dois compositores clássicos ao piano, Priscilla vai emocionar o público. Já fez isso inúmeras vezes. Mas o custo para exibir seu dom foi alto, lembra várias vezes durante a entrevista. "Passei por provas de preconceito. E também sou a testemunha de outras várias de solidariedade", conta de maneira articulada, sem assumir um posto de vítima. Quando o pai trabalhava no Centro de Formação Musical de Olinda (Cemo), ela quis aprender canto. Participou de óperas 

Depois veio a vontade de dedilhar o piano. Ao contrário da maioria dos novatos com o instrumento, não enfrentou grandes dificuldades. Impressionou o professor Levi Guedes, do Conservatório Pernambucano de Música. Ele solicitou a um amigo abastado um piano para a aluna. "Um modelo de armário. Menor que o de cauda, usado no teatro, mas perfeito para a prática diária", explica. Faz questão de citar cada um dos amigos que encontrou pelo caminho."Elyana Caldas (pianista famosa) é uma madrinha", completa. O norte-americano Bob Crites, da ONG SHSKI (sigla de Students Helping Street Kids International, que significa Estudantes ajudando crianças de rua pelo mundo) é quase pai. "Este mês, começo a fazer o 3º ano do colegial nos Estados Unidos com o apoio dele", comemora Priscilla. 

Como surgiu o teu interesse pela música clássica?

O lado artístico foi despertado pelo meu pai, Jaelson Dantas. Ele toca violão, canta e compõe. Trabalhava como guarda municipal no Centro de Formação Musicial de Olinda (Cemo). Comecei a estudar música aos 7 anos lá. Participava do coral. Aos 9, consegui um teclado porque meu sonho sempre foi o piano. Ganhei um através do professor Levi Guedes. Um amigo dele, Antonio Lippo, que é amante da música clássic, foi quem me presenteou com o Fritz Dobbert de armário que estudo até cinco horas por dia. 

Você faz questão de citar o nome de todo mundo.

Para chegar perto do meu sonho, passei muito preconceito. Uma menina pobre gostar de música erudita parecia ofensa para algumas pessoas. Por isso, acho importante citar. Elyana Caldas, tão famosa no Brasil e no exterior, me dava aulas particulares sem cobrar. Bob Crites, fundador da ONG SHSKI, me permitiu freqüentar curso de inglês e uma boa escola particular. Foi o maior choque de realidade por que passei. O conteúdo doColégio de São Bento, em Olinda, era muito avançado para mim. As crianças da escola não me aceitavam. Me chamavam de favelada, zombavam da minha origem. 

Você enfrentou tudo pela música? 

Não poderia desperdiçar as chances. Queria mostrar à minha mãe, Clauderez, que eu era capaz. Minha irmã caçula seguiu o exemplo, tomou gosto pelos estudos e também é patrocinada pela SHSKI. Agora, percebo que valeu a pena. Estou embarcando para o estado do Oregon, nos Estados Unidos, onde concluo o ensino médio. Pretendo frequentar a faculdade de música lá também. Fui lá duas vezes no ano passado a convite do professor Alexandre Dossin para recitais. 

Na quarta-feira, você estará no palco do Santa Isabel para tocar Chopin e Schumann. Quais teus compositores favoritos? 

Gosto muito de Heitor Villa-Lobos. Mas sou uma apreciadora do período romântico (1811-1900), quando o piano virou o grande astro. Chopin e Schumann estão entre os destaques. O convite para esse festival se torna tão importante para mim por se tratar de umespaço privilegiado para os artistas locais e por ter um peso especial. Sou fã dos autores românticos. 



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